Diretório de Coletivos de História Oral da ABHO
Documento
1. Identificação do coletivo
Nome do coletivo
CUME - Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura e Memória
Ano de fundação
2019
Localidade de atuação
São Paulo - SP
Forma de organização
grupo de pesquisa
GeoCoordenada (localização no mapa)
Vinculação institucional (caso haja)
UNIFESP - Instituto das Cidades
Instituições parceiras
Universidade de São Paulo (Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais); Universidade Estadual Paulista (Programa de Pós-Graduação em História) e à Universidade do Estado de Santa Catarina (Programa de Pós-Graduação em História).
Pessoas responsáveis ou de referência
Ricardo Santhiago e Lívia Morais Garcia Lima
Integrantes
2 pesquidaores plenos
20 estudantes, entre eles, graduandos, mestrandos e doutorandos
Website
Sobre o CUME
E-mail de contato
ricardo.santhiago@unifesp.br
O coletivo é filiado à ABHO?
Sim, com mais de um integrante como filiado individual
2. Atuação
Breve descrição do coletivo
O CUME – Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura e Memória é espaço de pesquisa interdisciplinar que congrega pesquisadoras e pesquisadores interessados nos fenômenos da cultura, das artes e comunicações, da memória e seus processos de elaboração, organização e transmissão, no marco da história do tempo presente. Fundamentado na ideia da história como forma social de conhecimento, o laboratório investiga práticas posicionadas dentro e fora da produção acadêmica – e, com ainda mais ênfase, em suas bordas e porosidades –, valorizando formas plurais de elaboração, organização e transmissão da experiência. Hoje, constitui-se como um espaço permanente de interlocução e prática de pesquisa coletiva, orientado pelo compromisso com a observação das diversas práticas culturais, artísticas, editoriais, intelectuais, performáticas, corporais, entre outras, nas quais se plasmam atitudes de indagação da experiência histórica encenadas por sujeitos e grupos em diferentes espaços sociais
Perspectiva metodológica e abordagem
O CUME mobiliza debates teóricos, fortemente calcados na experiência empírica sobre a história oral como método de pesquisa e princípios de inserção acadêmica e social de pesquisadores. Valoriza a dimensão narrativa e participativa, coletivamente pactuada, nos processos de coleta de dados e formulação de interpretações dialogadas sobre fenômenos socialmente relevantes observados pela história do tempo presente. Além disso, observa criticamente a circulação do conhecimento histórico e memorialístico em diferentes formatos e suportes, incluindo o mundo editorial, digital e audiovisual, bem como práticas populares, experimentais e alternativas, que tensionam hierarquias do saber e expandem os horizontes da pesquisa e da escrita da história. Os projetos não são submetidos à Plataforma Brasil.
Principais projetos concluídos
Edy Star em três tempos: Escrita, memória arquivo
Descrição: O projeto tem como proposta realizar ações de pesquisa e difusão em torno da vida e da obra do cantor, compositor, performer, pintor, desenhista e gravador Edy Star, multiartista ligado ao glam rock e pioneiro na discussão pública da homossexualidade. O projeto contempla a organização e disponibilização de seu acervo pessoal, bem como a publicação de dois livros.
Idosos, Covid-19 e contextos urbanos desiguais: documentação e análise de impactos sociais da pandemia por meio da história oral
Descrição: O projeto tem como objetivo geral investigar de maneira aprofundada os impactos sociais da pandemia do Covid-19 sobre a população idosa, focalizando por meio da história oral a compreensão de situações de vulnerabilidade na cidade de São Paulo.
Projetos em andamento
A América Latina na cultura pop: Análise historiográfica das representações sobre o continente
O objetivo geral deste projeto de pós-doutorado é analisar as representações sobre a América Latina na cultura pop, com ênfase nos usos do passado e nas narrativas históricas por meio de produções artísticas e midiáticas no âmbito da Latin Pop Music entre a década de 1970 e o presente.
Padre Ticão: a história de um "homem ponte"
Padre Ticão, uma das mais combativas lideranças religiosas do estado de São Paulo dos últimos 40 anos, participando de forma propositiva dos grandes movimentos e organizações sociais que despontaram na década de 80, em confronto aberto com a ditadura militar, tornou-se um personagem central para a história das conquistas cidadãs da população vulnerável paulistana da zona leste. A pesquisa tem buscado compreender este personagem complexo através da perspectiva dos mais diferentes atores com os quais conviveu, dialogou, militou, confrontou, negociou.
Palavras-chave
História Oral | História Pública | Memória das artes | Memória e vida urbana
3. Acervo
O coletivo possui ou está constituindo algum tipo de acervo?
Sim
Composição do acervo
O acervo é composto a partir de uma plataforma digital de documentação voltada à preservação digital e à exposição de acervos culturais da memória artística brasileira. Está orientado à salvaguarda de fontes de pesquisa de valor cultural que possa subsidiar a produção de conhecimento público.
Os acervos possuem dois tipos de origem: documentos doados diretamente à plataforma; documentos produzidos e acumulados por pesquisadores de alguma maneira vinculados à plataforma, no exercício de suas atividades profissionais e acadêmicas.
Suportes das entrevistas
Os suportes digitais disponibilizados para consulta online incluem documentos textuais digitalizados (PDF e imagens), fotografias digitais, recortes de imprensa digitalizados, partituras, correspondências, materiais iconográficos e, quando existentes nos acervos específicos, registros sonoros e audiovisuais convertidos para formatos digitais. O armazenamento e acesso ocorrem por meio de plataforma digital online
Condições de acesso ao acervo
Acesso online pelo site: https://amabile.art.br/
4. Produção e resultados
Produções relevantes
Mauad, Ana Maria; Santhiago, Ricardo. Arte, compromisso e história pública. São Paulo: Letra e Voz, 2025. | Santhiago, Ricardo; Moreira, Igor Lemos; Saraiva, Daniel Lopes. Eu só fiz viver: A história oral desavergonhada de Edy Star. São Paulo: Popessuara, 2025. | Moreira, Igor Lemos. Gloria, Jennifer, and Camila: The Autobiographical Writing of Latinx pop Divas on Social Media from a Historiographic and Intersectional Perspective. In: Attah, Tom; Fairclough, Kirsty; Lloyd, Christian. (org.) Rereading Musicians and Their Audiences: Popular Music Autobiographi | Perelmutter, Daisy; Waldman, Thaís (org.) Arquivos e centros de memória: o que revelam, o que ocultam. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, Centro de Memória Urbana, 2024. | Santhiago, Ricardo; Lima, Livia Morais Garcia. Quando memória e espaço se abraçam: História pública e práticas participativas de memória na periferia urbana. Territórios e Fronteiras (UFMT. Online), v. 17, p. 34-49, 2024.
5. Desafios e perspectivas
Principais desafios atuais
Atualmente, os principais desafios enfrentados pelo Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura e Memória (CUME) estão relacionados à sustentabilidade financeira das atividades de pesquisa, à obtenção de recursos para a preservação e difusão dos acervos produzidos e à manutenção de uma infraestrutura adequada para armazenamento, tratamento e disponibilização de documentos, entrevistas e demais materiais de pesquisa. Também se destacam desafios institucionais decorrentes da articulação entre pesquisadores de diferentes níveis de formação e instituições, exigindo constante coordenação das atividades coletivas.
Expertise e possibilidades de colaboração
Ao longo de sua trajetória, o Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Cultura e Memória (CUME) acumulou ampla experiência na realização de pesquisas em História Oral, artes, memória social, história pública e estudos sobre cultura e trabalho. O coletivo desenvolveu expertise na produção, tratamento, preservação e análise de entrevistas, na constituição de acervos de história oral, na elaboração de projetos de pesquisa, bem como na divulgação científica voltada a diferentes públicos.
Essa experiência se traduz em ações de formação de estudantes e pesquisadores, oferta de cursos, oficinas e atividades de formação em História Oral, além do apoio metodológico a projetos que utilizam entrevistas e fontes orais. O grupo também contribui para a construção de redes de colaboração entre universidades, instituições culturais, movimentos sociais e comunidades, compartilhando conhecimentos sobre metodologias participativas, preservação da memória e produção de conhecimento socialmente comprometido. Dessa forma, o CUME atua como espaço de formação, intercâmbio e fortalecimento de iniciativas voltadas à valorização das memórias, das experiências sociais e do patrimônio cultural.

