Diretório de Coletivos de História Oral da ABHO
Documento
1. Identificação do coletivo
Nome do coletivo
Grupo História Oral e Educação Matemática
Ano de fundação
2002
Localidade de atuação
Grupo Multi-institucional com sede Unesp, campus de Rio Claro
Forma de organização
grupo de pesquisa | núcleo ou laboratório vinculado a instituição de ensino e pesquisa | rede ou articulação de coletivos
GeoCoordenada (localização no mapa)
Vinculação institucional (caso haja)
Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp) – Campus de Rio Claro
Instituições parceiras
O GHOEM mantém parcerias e colaborações contínuas através da atuação de seus pesquisadores em diversas Instituições de Ensino Superior (IES) e Institutos Federais, além de articulações com redes de ensino e associações científicas. Dentre as principais colaborações institucionais, destacam-se: Instituições de Ensino Superior e Institutos Federais: Unesp (Bauru), Universidade Regional do Cariri (URCA), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG - Belo Horizonte), Universidade Federal do Paraná (UFPR - Curitiba), Instituto Federal do Paraná – IFPR, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS - Campo Grande), Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste - Cascavel), Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG - Campus Ouro Preto), Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro - PR). Sociedades Científicas e Redes Educacionais: Atuação conjunta com a Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM) e a Associação Brasileira de História Oral (ABHO), além de parcerias com redes públicas de ensino básico para formação continuada de professores e desenvolvimento de pesquisas em História da Educação Matemática.
Pessoas responsáveis ou de referência
Profa. Dra. Heloisa da Silva (Líder do Ghoem no CNPq); Profa. Dra. Maria Ednéia Martins (Vice-líder do Ghoem no CNPq), Antonio Vicente Marafioti Garnica (Unesp - Bauru) (Fundador do Ghoem), Carlos Roberto Vianna (UFPR) (Fundador do Ghoem), Antonio Carlos Carrera de Souza (Unesp, Rio Claro) (Fundador do Ghoem).
Integrantes
O GHOEM é constituído por pesquisadores doutores — em sua maioria docentes universitários que atuam como orientadores em programas de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) e na Iniciação Científica —, além de estudantes de graduação, pós-graduandos e educadores da Educação Básica.
As investigações do coletivo voltam-se centralmente ao estudo da cultura escolar e ao papel da Educação Matemática nessa cultura, estruturando-se através das seguintes linhas de pesquisa:
Análise de Livros: Investigação de acervos de livros e manuais didáticos antigos e contemporâneos sob o referencial da Hermenêutica de Profundidade.
História da Educação Matemática: Mapeamento da formação e práticas de professores, instituições e disciplinas escolares no Brasil a partir de fontes escritas e orais.
História Oral e Educação Matemática: Formulação e aplicação de referenciais teórico-metodológicos relativos ao uso da História Oral na pesquisa em Educação Matemática.
História Oral, Narrativas e Formação de Professores (pesquisa e intervenção): Elaboração de estratégias formativas para docentes que ensinam matemática, combinando narrativas sobre a escola, reflexão sobre a prática e investigação.
IC-GHOEM: Incentivo à iniciação científica de licenciandos e preparação de pós-graduandos para a atividade de orientação em pesquisa.
Narrativas e Ensino e Aprendizagem de Matemática (Inclusiva): Estudo sobre metodologias de ensino-aprendizagem na educação básica e processos de inclusão escolar articulados a narrativas de professores e alunos.
Projeto - Mapeamento da Formação e Atuação de Professores que ensinam/ensinaram Matemática no Brasil: Pesquisa ampla com História Oral dedicada a reconstituir a trajetória e a prática de professores em diferentes contextos e momentos históricos.
Territorialidades, Narratividades, Oralidades e Educação Matemática: Busca dar visibilidade, no campo da educação matemática, a projetos societários, epistemológicos, políticos, culturais, educacionais e contra-hegemônicos desenvolvidos por sujeitos e coletivos historicamente subalternizados ou silenciados, como camponeses, indígenas, quilombolas e outros. Com a oralidade, a narrativa e suas possibilidades teórico-metodológicas, busca-se construir espaços políticos de enunciação junto a tais comunidades, elaborando compreensões sobre educação e educação matemática.
Website
Redes sociais
E-mail de contato
heloisa.silva1@unesp.br
O coletivo é filiado à ABHO?
Sim, com mais de um integrante como filiado individual
2. Atuação
Breve descrição do coletivo
Criado em 2002 e com sede administrativa na Unesp (Campus de Rio Claro), o GHOEM (Grupo de Pesquisa em História Oral e Educação Matemática) dedica-se há mais de duas décadas ao estudo da cultura escolar e ao papel da Educação Matemática nessa cultura. O grupo tem como objetivo principal desenvolver pesquisas e referenciais teórico-metodológicos focados no uso da História Oral, das narrativas, da análise de manuais didáticos e de fontes escritas para compreender a história da educação e da formação docente no Brasil. Suas principais frentes de atuação abrangem a investigação sobre a trajetória de professores que ensinam matemática, a formação inicial e continuada de docentes, a educação inclusiva, os saberes de coletivos historicamente silenciados e a constituição e preservação de acervos históricos — com destaque para o Acervo de Livros Didáticos Raros Antonio Vicente Marafioti Garnica, localizado na Unesp, Campus de Bauru.
Perspectiva metodológica e abordagem
O Ghoem utiliza a História Oral articulando entrevistas temáticas e de história de vida para investigar memórias e práticas na Educação Matemática e em comunidades diversas. Registradas em áudio e vídeo, as sessões captam nuances, gestos e silêncios da oralidade. Em vez de questionários rígidos, priorizam-se roteiros por eixos temáticos com fichas contendo conceitos-chave e modelos de atividades. Essa estratégia estimula a reflexão pedagógica e garante a fluidez narrativa sob escuta atenta do pesquisador. Para disparar lembranças, usam-se suportes materiais: livros, manuais, guias curriculares, fotos e recursos manipuláveis (como bloco lógico e ábaco). O processo inclui imersão via diário de campo, transcrição, textualização negociada com o depoente e devolutiva. As pesquisas cumprem normas éticas via Plataforma Brasil/CEP, com aplicação de RCLE/TCLE e Carta de Cessão de Direitos. As análises articulam as fontes orais produzidas com o levantamento de fontes escritas.
Principais projetos concluídos
- Projeto - Mapeamento da Formação e Atuação de Professores que ensinam/ensinaram Matemática no Brasil (Proponente: Antonio Vicente Marafioti Garnica. Ag. de Fomento: CNPq)
- Hermenêutica de Profundidade: Análise de livros antigos e outras fontes relativas à Cultura Matemática Escolar (Proponente: Antonio Vicente Marafioti Garnica. Ag. de Fomento: CNPq)
- Mobilizações de Narrativas na e para a Formação Inicial de Professores (que Ensinam Matemática) (Proponente: Heloisa da Silva. Ag. de Fomento: CNPq)
Projetos em andamento
- Mapeamento dos efeitos da presença ou ausência de políticas de permanência estudantil em cursos de licenciatura em matemática de universidades públicas
brasileiras. (Proponente: Heloisa da Silva. Ag. de Fomento: CNPq)
- Sobre a Educação Matemática que tem sido praticada em escolas do campo da região de Bauru (Proponente: Maria Ednéia Martins. Ag. financiadora: Fapesp)
- Formação e atuação de professores e professoras de Matemática em contextos da Educação do Campo: entre narrativas e ruralidades (Proponente: Filipe dos Santos Fernandes. Ag. financiadora: CNPq)
Palavras-chave
História Oral. Educação Matemática. Narrativas. Memória Docente. Formação de Professores. Cultura Escolar. História da Educação. Educação do Campo. Educação Indígena. Educação Quilombola.
3. Acervo
O coletivo possui ou está constituindo algum tipo de acervo?
Sim
Composição do acervo
O acervo do GHOEM é composto por fontes orais e materiais voltados à História da Educação e da Educação Matemática no Brasil. Destaca-se o Hemera, sistema do grupo que organiza, cataloga e disponibiliza depoimentos e textualizações decorrentes de pesquisas de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado (https://www2.fc.unesp.br/ghoem/hemera.php). Temas das entrevistas: Trajetórias de formação e atuação de professores que ensinam ou ensinaram Matemática, memórias da cultura escolar, práticas pedagógicas, instituições de ensino, reformas curriculares e o ensino em contextos comunitários e rurais. Tipos de acervo: Banco de depoimentos textualizados e áudios/vídeos de entrevistas registradas por História Oral, além de um acervo documental físico e digital composto por cerca de mil livros didáticos e manuais pedagógicos antigos, cadernos escolares e documentos históricos. Recortes temporais e territoriais: Acomoda recortes do século XX e XXI, abrangendo diversas regiões e estados.
Suportes das entrevistas
Suportes das entrevistas utilizados pelo Ghoem:
Vídeo: Registros em fitas magnéticas (como VHS e MiniDV, presentes nos projetos mais antigos) e, predominantemente, em formatos digitais (.mp4, .mov, .avi).
Áudio: Gravações originais que variam de suportes analógicos (como fitas cassete e CDs) a formatos digitais de alta fidelidade (.mp3, .m4a, .wav).
Transcrições e Textualizações: Documentos gerados em formato digital (.docx, .pdf) armazenados em discos rígidos (HDs externos) e servidores em nuvem, acompanhados por cópias físicas impressas das versões finais validadas e das Cartas de Cessão de Direitos assinadas.
Condições de acesso ao acervo
Online (gratuito): As textualizações de entrevistas e pesquisas completas estão disponíveis no sistema Hemera (no site do GHOEM) e no repositório da UNESP.
Físico: Livros, manuais e documentos impressos ficam na Unesp/Bauru, com consulta mediante agendamento.
Restrito: Áudios brutos sob sigilo ético
4. Produção e resultados
Produções relevantes
Livro Cartografias contemporâneas: mapeando a formação de professores de Matemática no Brasil (Garnica, Org., Appris, 2014, 500 p.). A obra reúne resultados do mapeamento histórico e das narrativas de professores que ensinam matemática, discutindo formação docente e políticas educacionais. | Livro Oral History and Mathematics Education (Garnica, Org., Springer, 2019, 286 p.). Publicação internacional que sintetiza os aportes teórico-metodológicos do GHOEM, servindo de referência global ao demonstrar o uso da História Oral e da constituição de fontes orais na Educação Matemática. | Livro Rompendo fronteiras disciplinares: narrativas, práticas de pesquisa e intervenção na formação de professores que ensinam matemática (Silva, Org., Livraria da Física, 2023). Explora a História Oral como política de narratividade e intervenção em espaços de formação docente. | Artigo Educação Matemática e Políticas Educacionais: perspectivas desde a História Oral (Rolkouski, Candray e Silva, Revista História Oral, v. 28, n. 3, p. 73–92, 2025). Discute as relações entre narrativas docentes, memória e políticas educacionais sob a ótica da História Oral. | Artigo “Está cedo, tenho tantas histórias para te contar”: oralidade e História Oral na investigação de escolas rurais paranaenses (Andrade, Sachs, Fernandes e Souza, Bolema, v. 39, 2025, Dossiê PPGEM 40 Anos). Investiga a memória e a oralidade no ensino de matemática em contextos rurais.
5. Desafios e perspectivas
Principais desafios atuais
Os principais desafios do coletivo concentram-se na dimensão financeira, refletindo-se nas esferas de infraestrutura, institucional e metodológica.
A escassez de fomento público compromete a sustentabilidade das ações. Na infraestrutura, a limitação orçamentária dificulta a manutenção dos servidores do sistema Hemera, a atualização de softwares, a aquisição de equipamentos de gravação e a preservação do acervo físico na Unesp/Bauru.
Politicamente e institucionalmente, a falta de recursos cria barreiras para a concessão de bolsas, o deslocamento de pesquisadores para entrevistas de campo e o suporte técnico em TI.
Metodologicamente, o desafio é manter o rigor ético no tratamento e na guarda de fontes orais e digitais diante das novas normativas de proteção de dados, sem verbas específicas.
Assim, a captação de recursos é vital para garantir a preservação da memória e a continuidade das pesquisas em História Oral e Educação Matemática.
Expertise e possibilidades de colaboração
Ao longo de sua trajetória, o Ghoem acumulou expertises consolidadas em três eixos principais: metodológica, na constituição, análise e preservação de fontes orais e narrativas em Educação Matemática; técnica e de gestão de acervos, na organização de repositórios digitais (como o sistema Hemera) e salvaguarda de documentos históricos e mídias físicas; e ética e normativa, especificamente voltada às singularidades das pesquisas do grupo, com foco na proteção da memória, na elaboração de termos de consentimento (RCLE/TCLE), na cessão de direitos de depoimentos e na adequação à LGPD no contexto de narrativas de vida e de formação.
Essas competências traduzem-se em apoio e colaboração com a comunidade por meio de:
Formação e Capacitação: Oferta de oficinas, minicursos e orientações sobre História Oral, técnicas de entrevista e processos de textualização para pesquisadores e estudantes;
Consultoria Técnica e Ética: Suporte a outros coletivos e instituições na organização de acervos de memória e na adequação ética de pesquisas com seres humanos e fontes orais;
Intercâmbio e Redes de Pesquisa: Parcerias em projetos interinstitucionais, publicações conjuntas e ações sobre História e Formação de Professores.

